Mais do que uma dor estritamente individual de quem sofre com o problema, a perda auditiva impacta diretamente seu relacionamento com o cônjuge, os parentes, os amigos e os colegas de trabalho.

De acordo com a cientista social, deficiente auditiva e autora do livre ‘Crônicas da Surdez‘ – Paula Pfeifer, a maioria das pessoas que passam por esse problema tendem a se fechar em uma bolha de solidão causada pela incapacidade ou pela dificuldade de se comunicar – de modo que quaisquer tentativas de participar de interações sociais passam a ser refutadas por uma certeza de que elas trarão apenas tristeza e frustração.

Essa sensação de impotência em relação ao problema auditivo, faz com que a pessoa passe a negar qualquer tentativa de auxílio proposto pelos mais próprios ou por médicos especialistas.

Nesse cenário de total desilusão, alguns pacientes se recusam a usar aparelho auditivo ou qualquer recurso tecnológico, mesmo sabendo que precisam disso.

Para Pfeifer, essa insistência em ‘negar a dar a si próprio uma oportunidade’ é – acima de tudo – uma atitude egoísta, ao passo que uma boa adaptação a um aparelho auditivo, por exemplo, irá impactar positivamente não apenas a vida do indivíduo que sofre com o problema, mas todo o seu círculo de convívio.

“É preciso estar consciente do quanto essa negativa está prejudicando a dinâmica dos seus relacionamentos íntimos”, afirma Paula.

Já parou pra pensar? O quanto as pessoas que você ama ficariam felizes de poder ir ao cinema, conversar normalmente – fazer, novamente, as atividades mais cotidianas que vocês fizeram um dia utilizando plenamente todos os seus recursos comunicacionais?

O segredo é deixar de ter pena de si mesmo e raiva do mundo – para abraçar a retomada da qualidade de vida proporcionada pelo avanço tecnológico. Não é justo negar a si mesmo e a quem você ama essa oportunidade!